terça-feira, 11 de setembro de 2007

Bundas que sobem

Lucas subia mais uma vez seu lance de escadas até seu apartamento.
Ele sabia que o porteiro velho e babaca e beberrao estava olhando enquanto pisava os degraus.
Lucas só queria chegar em casa e escrever seu livro, parado no tempo e na velha Hemington.
- o que diabos esse velho olha tanto? tá me controlando? ou será que ele curte ficar olhando minha bunda?

Girou a chave na porta. Entrou. abriu uma cerveja em lata e foi escrever.
Começou a lembrar de quando era criança ou pré-adolescente.
Quando estava num churrasco de uma familia. Não a sua familia. Apenas os vizinhos.
E ele fora convidado.
Pena é um dos sentimentos mais nojentos da humanidade.
Mas, vamos a história: Lucas se lembrava de que estava a comer um prato cheinho de corações de galinha, Deus, como ele adorava aquelas pequenas coisinhas feitas na churrasqueira.
Ele se fartou de comer, comeu dois pratos cheios. Bom que os vizinhos tinham grana.
E seria uma pena não comer tanto quanto seu estomago aguentava.
Depois, sem nada pra fazer ficou zanzando pela propriedade e olhando.
Eis que surgiu um guri menor e mais novo que ele e ficou olhando e olhando Lucas.
- ah, sai daqui piralho. Não gosto de você.
O menorzinho não se mexeu. Apenas olhava e olhava.
Lucas não pensou. Apenas empurrou o outro. Bem forte e de modo súbito.
A criancinha tropeçou e aterrisou de costas no chão. Na verdade, usou os cotovelos pra fazer isso.
Ambos sangraram. E a criança começou a chorar.
Por um instante, Lucas se assustou, mas depois sentiu algo estranho, não era prazer, mas felicidade ao ver aqueles cortes e aquele sangue que escorria.
- eu que fiz - pensou Lucas.

Contruir e criar poder satisfazer adultos e tal.
Mas é tão gostoso descobrir que se tem o poder de destruir. Isso faz muito bem a uma criança. E Lucas sorriu. No passado e no presente.

Um comentário:

  1. acho que vc tem lido Malvados demais...

    mas gostei do texto!!!


    bjinho

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