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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Feliz Natal ?!?!?!

Eu até ia escrever um conto natalino ou algo sobre as festas de fim de ano.
Mas... olha o que eu vi quando entrei no UOL:

"Crime em SP: Assaltante é preso por estupro após ser solto para Natal"
http://noticias.uol.com.br/ultnot/2007/12/27/ult4469u16219.jhtm

Quando será que vão acabar com essa palhaçada de indultos de Natal, Páscoa e dia das Mães?
Quando vão parar de mimar esses marginais que nos fazem viver com medo e insegurança e trancados em casa?
Quando teremos um pouco de tranquilidade para as nossas famílias?

Bem, desejo um ótimo fim de ano a todos e que 2008 seja bom em todos os sentidos.

Abraços e beijos a todos.

Ho. HO. HO.

sábado, 19 de maio de 2007

BOLINHOS DE BEBÊ

Alguns anos atrás, todos os animais foram embora.
Acordamos uma manhã e eles simplesmente não estavam mais lá. Nem mesmo nos deixaram um bilhete ou disseram adeus. Nunca conseguimos saber ao certo para onde foram.
Sentimos sua falta.
Alguns de nós pensaram que o mundo tinha se acabado, mas não tinha.
Só que não havia mais animais. Não havia mais gatos ou coelhos, cachorros ou baleias, não havia peixes nos mares, nem pássaros nos céus.
Estávamos sós.
Não sabíamos o que fazer.
Vagueamos por aí, perdidos por um tempo, e então alguém observou que, só porque não tínhamos mais animais, não havia motivo para mudar nossas vidas. Não havia razão para mudar nossa dieta ou parar de testar produtos que podem nos fazer mal.
Afinal de contas, ainda haviam os bebês.
Bebês não falam. Mal podem se mexer. o bebê não é uma criatura racional, pensante.
Fizemos bebês.
E os usamos.
Alguns deles, comemos, Carne de bebê é tenra e suculenta.
Esfolamos suas peles e nos enfeitamos com elas. Couro de bebê é macio e confortável.
Alguns deles, usamos em testes.
Mantínhamos seus olhos abertos com fitas adesivas e pingávamos detergentes e shampoos neles, uma gota de cada vez.
Nós os marcamos e os escaldamos. Nós os queimamos. Nós os prendemos com braçadeiras e plantamos eletrodos em seus cérebros. Enxertamos, congelamos e irradiamos.
Os bebês respiravam nossa fumaça e, na veia dos bebês, fluíam nossos remédios e drogas, até eles pararem de respirar ou até o sangue deles não correr mais.
Era duro, é claro, mas necessário.
Ninguém podia negar isso.
Com a partida dos animais, o que mais podíamos fazer?
Algumas pessoas reclamaram, claro. Mas elas sempre fazem isso.
E tudo voltou ao normal.
Só que...
Ontem, todos os bebês se foram.
Não sabemos para onde. Nem mesmo os vimos partir.
Não sabemos o que vamos azer sem eles.
Mas pensaremos em algo. Humanos são espertos. É o que nos faz superiores aos animais e aos bebês.
Vamos bolar alguma coisa.

- Retirado do livro "Fumaça e Espelhos - Contos e Ilusões" de Neil Gaiman.

O autor escreveu essa fábula em benefício da PTEA (Pessoas em prol do Tratamento Ético dos Animais). Segundo ele "É a única coisa que escrevi que me perturba." E isso vindo do homem que criou Sandman e tantas outras histórias que podem desajustar pessoas mais sensíveis.
É dele o meu livro favorito "Deuses Americanos"